sábado, março 27, 2010

Veneno ou começo dessa lista "Todd Haynes"


O primeiro filme de Haynes é também o primeiro filme do diretor analisado pelo blog, nesse "tributo" a um dos melhores diretores não só no novo "Queer cinema" mas também de sua geração como um todo. E para um diretor especial, uma colaboração especial, o Junior , amigo blogueiro, que está fazendo um top 100 dos filmes da última década no seu blog.

Sobre Veneno (Poison, 1991). Este longa é na verdade uma simples antologia com três curtas unidos por uma questão principal: como a sociedade exclui e trata esses excluídos.

Os três curta são: Hero, Horror e Homo. Em Hero vemos um falso documentário sobre um garoto que era constantemente abusado na escola e em casa por ser diferente. Em determinado momento do curta, um dos personagens que batiam no menino na escola, chega a dizer que ele imcomodava simplesmente por estar ali, era do tipo que as pessoas gostassem de bater. Haynes que assina o roteiro do filme, usa da estrutura de falso documentario e da ausência do menino Richie Beacon para mostrar a exclusão do ponto de vista de quem exclui. Não mostrar o menino Richie faz com que o público se foque na situação apresentada, e não no garoto. Se não há justificativa para descriminar, excluir alguém, não importa se Richie era deficiente, negro, homossexual, pobre, gordo, ou qualquer motivo usado como desculpa para um comportamento injustificável.



Já em Horror, somos apresentados a um médico que acredita ter descoberto como criar o desejo sexual em laboratório. Sua invenção desacreditada por uma junta médica, que se mostra extremamente desconfortável diante de qualquer revolução sexual, atrai a atenção de uma bela cientista que se oferece para trabalhar como estagiária mas que acaba se apaixonando pelo Dr. Graves. Logo após criar a libido artificial, Dr. Graves a ingere acidentalmente, deformando seu rosto e passando a ser chamado de "Assassino leproso" por onde passa, já que as pessoas não entendem como a contaminação ocorreu/ocorre e temem que o mesmo aconteça com elas por simplesmente conviver com o Dr. Além da questão dos "excluídos" algo recorrente na obra de Haynes, em Horrror vemos o belo roteiro de Haynes criar uma metáfora para a AIDS e principalmente para a forma que as pessoas que tem a doença eram e são tratadas até hoje.

Por fim temos "Homo" onde o diretor explicita o tom homoerótico que marca alguns momentos dos curtas anteriores. Aqui vemos o prisioneiro, John Broom que se reencontra e se apaixona de novo por um amigo de um internato que viveu durante a adolescência e que mais tarde se torna seu companheiro de cela.
Esse curta é responsável por uma das cenas de sexo mais bem realizadas do cinema , a fotografia sempre escura, mal se vê os atores, ajuda na construção da tensão entre personagens, e do desejo sentido por eles, um desejo proíbido, que ninguém do presídio poderia ver ser consumado e nem mesmo o publico que assiste ao filme poderia ver.

Uma bela estreia, para uma carreira que se mostraria ainda mais bela, por esse filme a lista continuará viva!

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